quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

MARGENS DE MIM


Margens  de mim  meu amor


           Sou feito de areia fina que o vento

levanta  mas ninguém segura sou feito de sons

e melodias  que todos ouvem mas ninguém escuta


Sou escrito em vàrias línguas  que o mundo aprende

mas ninguém  entende


Sou escrito em vàrias linhas

que todos  lêem  mas ninguém decora

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Paixão



Há muito que não falo de paixão

há muito que ao meu redor se

envolveu o movimento quente

dos  lábios que pela última vez

pronunciaram a palavra a

 envolvência  paixão   caiu 

em desuso des - modernizou  - se

comigo isso não è felizmente

verdade continuo apaixonado


Sem o amor


 

Sem romance de que massa  as almas

se constituiriam e o fermento do pão

e das nuvens de que  outra matéria ou força ?  

Romance


 

Sem romance como seria reduzido

o livro das palavras  amorfo inócuo

insalubre qualquer verso qualquer

poema o seu sangue insalubre qualquer 

verso qualquer poema feito de inspiração


Sem romance que forças poderia invocar

a ternura o beijo a carícia nùbil o desejo  

e o seu fragoso de sedas  amarotadas a

densidade  das salivas quentes   como 

ressuscitariam as lendas das noites 

 ignoradas frias e longínquas que dentro 

de si guardam o graal ?


como se sustentariam os jardins suspensos

com que assentam  todos os grandes mundos ?


CANTAR



 

Executando um som gratinado  na memória

cantar è um dom  è uma vitória a  vida è curta

 demais e triste quando  nada corre a feição como

se tudo fosse uma história a verdade è pura e existe

e è visìvel em campo aberto  e è uma história sò de bons

 momentos presa na memória recitando tempestades sem

ventos bicando no tempo acabando em negro ardente em

altas chamas celestiais gritando pesadelos desenhos infernais

de puxar os cabelos olhos vidrados para finalizar o canto sons

calados acabou - se e pronto

Lugar Submerso


 

Lugar  submerso no universo

onde olhares secretos se cruzam

fosforescentes  com pepitas de 

ouro no fundo  cheios do nosso

amor multicor

Canto


 

Sò a ti canto canto que eu já

não sei outra forma de me encontrar

Meu amor


 O meu coração  escreve na noite

como quem chora o amor desta

tarde  que arrefeceu as maõs e os

olhos que te dei o amor vivo desenhado

o fogo  que eu próprio queimei o amor

que me destrói a fria arquitectura desta

tarde   

Coroação


 

O meu coração escreve na noite 

como  quem chora o amor desta

tarde que arrefeceu as mãos e  os

olhos que te dei 

Choro


 

Choras e nem eu posso mais 

do que lágrimas coisas frias

sobre as tuas mãos abandonadas

à janela dos dias alta tristeza 

de cabelos de água è o meu rosto

que se demora  

Acordar


 

Acorda - me um rumor de ave 

seja talvez  a tarde a querer voar

a  levantar do chão qualquer coisa

que  vive e è como um perdão que

eu nunca  tive talvez nada ou sò um

 olhar que na tarde fechada è ave mas

não pode voar

O teu olhar


Do teu olhar delírio dor loucura de beijar

e nada querer e  tudo  desejar e em mim 

tudo começa a confundir - se e os teus olhos 

de  emoção a faiscar fazem os meus estreme -

- cerem  a cada olhar teu
 

AMOR


 

Quando  fito os teus olhos  sinto o amor

um puro raio de sol  a despontar um doce

enleio  terno abrasador botão  de rosa  a

desabrochar è essa  luz que em mim 

desponta o amor nasceu em mim como nascem

as estrelas ao luar como nascem as rosas do botão 

de rosas assim nasceu este meu amor por ti em mim  

Luz


 

Não  se pode mudar  de luz como

quem muda de  camisa  a pedra 

acesa do mar ilumina as veredas

do coração e a cal escorre dos

 muros dos troncos das oliveiras

atè ao chão

sábado, 20 de fevereiro de 2021

A palavra


 a palavra sobrevive a chama

se colhida livre por qualquer 

alma no instante da tua cruzar

a minha


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Patio interior


 há sô tu ainda estou aqui

no mesmo sitio frio

e solitária gélido

onde nos pegamos

fogo ao sentido único

da nossa  vida 

linda a tua espera

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

O Tempo


 O tempo  sò è válido em ti

sò tu lhe dàs  realidade

sò tu ès o fluir

está suspenso em ti a vida

a esperança o desespero

a morte

Duas Pegadas


 Duas pegada de água

vê - me inteiro  despido

do meu   corpo


vê a minha alma  luminosa

para ti

Flores


 Não   è que julgue  que há   sorrisos

nas  flores  e canto nos rios

navegar  navegar

navegar nos teus olhos deslumbrantes

no meu  coração ardente  cheio de  amor

e paixão  estrela  luminosa do nosso  ser

navegamos no imenso  mar

Rosa


 

rosa  pequena as vezes mínima

e nua   pareces caber numa única  

das ninhas  mãos  e levar a boca

mas logo os meus pès tocam os teus

a minha boca  os teus lábios crescentes

erguem - se teus ombros  como duas  colinas

os teus seios passeiam -   se pelo meu  peito

o meu braço mal  consegue abraçar a linha estreita

 da  lua  nova da tua cintura salta no amor como

água    do  mar  apenas aos olhos mais vastos

do  céu inclino - me  para a tua boca  para beijar

a terra que   os rios cantam        


No teu rosto

 



no teu rosto começou a madrugada   

somente  a ti  ti  pela tua  força 

sabedoria e determinação por

este amor por ti dentro de mim

o estojo dos teus dos teus olhos 

que acabam de levantar voo a lua

longa boca os teus cabelos a minha

 pequena  torre  em ti a terra 


pequena rosa as vezes mínima

e nua  pareces caber numa única

das minhas  mãos para  assim 

te segurar e levar  a boca







Patiio interior


 somente  ti  pela tua força pela tua  sabedoria

e por este amor por ti dentro de mim o estojo

dos teus olhos que acabam de levantar voo

a tua longa boca   os teus cabelos a minha

pequena torre em ti a terra 

Verbo


 o verbo   aguça  a intimidade

 aproxima intensifica o silêncio

do olhar armazena e multiplica

o sulco do beijo intensifica

a face da lua


Palma da mão


 na palma da mão a saliva que a tua boca

verteu  na minha mão o som do mar no

meu ouvido mas o òpio  e o teu gemido

na verga do teu corpo a clemência do

meu  pecado

Verão


 tu  sorris  è verão que nunca acaba

a penúria lírica do meu  coração


a nudez  è medida pela falta de roupa 

ou pela falta da pele mitigas os meus 

passos e caminhas sobre a poesia

a mesa do amor


 as vezes embatemos no  tempo 

presente passado  e futuro onde

nos cruzamos em plena  noite

esquecida

Se quiseres tocar os pássaros eles voarão mais alto


 se quiseres tocar os pássaros

eles voarão   mais alto são tão

leves e livres  observa  esta liberdade

quando  me tocas è precisamente  o

contrário queremos ficar e è no ficar

que conseguimos voar mais alto


Suave


 

Gosto do que è suave a tua pele

è suave as pétalas são suaves

respiro  este ar celeste doce

e quente 

No teu sorriso


 no teu primeiro sorriso    consegui

perceber que na espécie humana

alguém consegui  sobreviver

a crueldade do mudo e consegui

sair do capitulo com as suas próprias

 mãos as tais mãos que eu sabia

que eram capazes de me trazer 

o céu

caminhei nas tuas pegadas


 caminhei  nas tuas pegadas 

encontrei  muralhas forcei

passagens fiquei  sem telhado


a luz inteira  ofusca - me

qualquer raio queimava -  me

mesmo quando conseguia

prever mas era um embrião

e precisava de crescer

Impulso


 o meu  primeiro impulso foi - se

dizer - te « amo - te »  mas tive

medo  que ao fazê - lo tu viesses

num balão de ar e rebentasse

antes de poder elevar- se  bem

alto ao ponto de tocar o cèu

LOVE


 acolei - me neste pensar  e fiz dele

o meu manicómio e foi neste  lugar 

que me habita que  insatisfação  sò

na loucura consegui suportar esta

ideia  esta insatisfação debruçado a

 janela neste  lugar que te avistei

 j

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Transparência


transparência

 onde tudo era mais escuro

paz onde morava a solidão

e a certeza de que a sepultura

è uma cova onde não cabe

o coração


saudade sem sociedade

inerte no seu egoísmo de honres

no seu ego fechado nos seus fantasmas

que a si próprio assusta e a teme sem

tremer de amor  na frieza do ser uno

universal

Amor Fecundo


                                                                                                                                       a Ana  Pereira


fecundo  - te vida nos pinhais

fecundo - te de seiva e de calor

alargo  - te o corpo pelos areais

onde o mar se espaira sem 

contornos e cor põe - te

sonho onde havia apenas silencio

de novas rosas por abrir

e um jeito nas tuas mãos de quem

sabe que o futuro há -de surgir

brotou água


venhas a hora em vieres


 tu já tinhas  um nome e eu não sei

se eras fonte  brisa mar ou flor

nos meus versos chamar - te - ei

amor

se vieres a minha procura

eu estou aqui

toma - me

noite sem sombra

de amargura

consciente do que dou

nimbar - te de mim

e  do luar

disperso de ti

serei mais teu

e deixas - me derramado

no olhar de quem já me

esqueceu


a princesa do sonho dourado do meu paraíso


 tenho tristeza como toda gente

quero alegria mas hoje sou 

o céu que tem uma gaivota

leve o diabo essa morte

dia a dia


 nos meus dedos  ò mão da minha

alma flores abertas aos meus segredos

pela luz dos teus olhos eu acho meu amor

e sò posso achar que a luz dos meus olhos

precisam de se casar



 

sò  a ti canto que eu já não  sei

outra forma de ser e de me

 encontrar


a noite nem sempre `a única de um sonho

entardecido


por vezes é  apenas um começo

de um novo renascer de um amor

sempre renovado

na manhã renovada do teu olhar

Soneto


 

o amor  desta noite  que  arrefece as mãos
e os olhos que te dou amor exacto vivo
desenhado o fogo que eu próprio queimei
amor que   destrói a fria arquitectura
desta noite   

Súplica


 

quero  mais as tuas lágrimas

do que os sorrisos de capa

de revistas com que julgas

seduzir - me


conheço as tuas lágrimas

o sentido  a  razão  ultima

o sentimento que nela imprimes

sem maquilhagem o sùbtil tremor

do desejo que por mais que quisesse

sempre seria indisfarçável


as tuas lágrimas são lente com

que a tua alma se habitou a ler

o amor de olhos fechados que

eternamente restasse não se apagaria

a visão da única concreta e real  que te

salva

nobre humilhação

 


a humidade  cai em densidade

e desalinho como cacimbo

nos trópicos ilumina a noite

com a luz interior que a lua

e luz  jamais saberão


assim  se caldeia o semblante

nocturno e as pequenas correntes

ganharam e ganham frescura

desse modo alcodoram as pedras

paixão


 há muito que não falo de paixão

há muito que o  meu redor se

envolveu


o movimento quente dos lábios

que pela última vez pronunciaram

a palavra  envolvência  


paixão caiu em desuso desmoronou -se

deixou de ser moderna comigo isso

não è valido felizmente continuo

apaixonado pela palavra pelo

sedoso que há nas suas silabas

quente

sobe a luz no mar


 ao fundo não sei o que vejo

dizem - me que è o mar

são as tuas mãos ásperas

a rasgar o céu todas as madrugadas

de insígnia sem razão nem porquês

apenas um olhar frio distante rasgando

o luar


MARGENS DE MIM

Margens  de mim  meu amor             Sou feito de areia fina que o vento levanta  mas ninguém segura sou feito de sons e melodias  que todo...